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sábado, setembro 22

Há medida que o tempo passa.


Há medida que o tempo passa e a história vai ganhando vida, vou-me satisfazendo aos poucos com a sua conclusão. É uma sensação tão estranha como o amor, é o não querer acabar de escrever aquela história. Não quero, não devo, não sinto que o deveria fazer, ter de terminar, de lhe dar um fim, colocar um ponto final na história, nas letras daquele mundo que habita dentro de mim à já tanto tempo. Temo que deixe de ser quem sou quando a concluir. É quase como entrar no comboio e ter de sair na próxima paragem porque é essa a nossa casa, o sitio onde vivemos. Mas para mim, aprecio tanto a viagem, as gentes que fazem aquele ambiente, a paisagem que passa a velocidades estonteantes.

Quero acabar o livro e ao mesmo tempo tenho medo que não chegue a ficar tão bom como queria, apesar de que tudo o que escrevi nele seja algo maravilhoso. É quase com estar sentado no topo do mundo e não ter a certeza se aquilo que vemos é realidade ou uma simples miragem das coisas mais belas.

sábado, janeiro 15

Se um dia quiseres escrever uma história.

Se um dia quiseres escrever uma história, terás primeiro de ler milhares delas antes...

domingo, dezembro 12

Prólogo

Badalavam os sinos no topo da igreja, fazendo o seu som ecoar por entre as árvores, interrompendo o silêncio da calma manhã de 28 de Maio. Anunciavam a morte de Dom Afonso IV, pouco depois de o sol se levantar no horizonte, carregado de cores alaranjadas. O nevoeiro, que pintava de igual modo o ar, mas este  de tons cinzentos. Impedia que fosse visto com clareza, (como aqueles dias em que o sol aquece) a formosa Igreja de Santa Maria Maior. O corpo, depois de tratado, bem vestido, descansava, de forma presente, no interior da igreja. Fora dela, já um aglomerado de gentes e fidalgos, esperavam para prestar homenagem ao falecido rei. Este, tem na cabeça um elmo, vestindo cota de malha e couraça por cima das vestes de lã. As suas mãos seguram a espada que lhe dera vitórias e de que de mérito a fez usar. A sua barba comprida, dava-lhe aparência de mais de sessenta e seis anos. Idade com a qual morrera nos seus olhos. Cabelo longo e encaracolado, dando-lhe onde deitar a cabeça, aconchegando-o. Tinha dedos gordos, num deles um anel de oiro que brilhava, tanto como os seus olhos verdes.

Sentia a preguiça no corpo. Via nos seus olhos a pouca vontade que tinha de se levantar da cama. Mas tinha de o fazer. Seu pai tinha morrido, e teria de lhe prestar uma ultima homenagem e declarar o trono que era seu por direito. Tinha trinta e sete anos, um mês e dezoito dias. Batem à porta. Depois da autorização dada, entraram dois homens, vestidos com um cuidado próprio de nobres. São estes, Martim Vaasquez, e Gonçalle Annes, vassalos de Infante Dom Pedro. Ajoelham-se, puxando para trás a capa que os cobre dos pés à cabeça, pedindo permissão para falarem.

- Senhor, temo que o que tenho para lhe dizer, não seja de bom agrado.
- Conta-me de uma vez.
Levantou-se Martim Vaasquez, para falar sobre tão delicado assunto.
- Seu pai, ElRey Dom Afonso... - O meu pai? - Interrompe Dom Pedro.
- Morreu esta manhã.

domingo, agosto 29

Olhou pela janela...


Pedro, caminhava pelos corredores da casa, entrando e saindo do quarto, enquanto Inês passeava sozinha lá fora. Nos jardins que rodeavam a casa. Olhou pela janela, procurando no manto verde, as cores vivas que ponham Inês tão formosa e bonita. Avistou-a bem longe dos muros que rodeavam a casa. Estava linda. Conseguia vê-la sorrir. Então, soltou uma gargalhada. Como era tolo, um homem com o seu temperamento amar uma mulher tão estranhamente bela e politicamente consciente. Na cabeça de Pedro, Inês não era mais do que um apoio, um pilar, como qualquer mulher o é a qualquer homem. Mas esta, seria sem dúvida uma ajuda nas politicas, nos entendimentos entre os dois países - Portugal e Espanha - Deixou-se estar por ali a gargalhar como um tolo, até que outro raio o denunciou no meio da janela do seu quarto. Inês vendo o reflexo do sol vindo do seu lado esquerdo, virou-se rapidamente olhando para ver o que era. Olhou para cima. Vira o seu príncipe. O homem que lhe dava a protecção, o amor e cuidados de um excelente cavalheiro.

Pedro, gritou para chamar Inês. Fez o gesto para que viesse rapidamente em casa. Mas esta decidiu ficar no sio em que estava e sentou-se como se tivesse amuada com algo. Este, vendo a reacção de que a princesa queria era mimo, desceu do seu quarto a correr. Um salto nas escadas quase que o faziam cair de cu. Correra depois para a porta da cozinha que dava acesso para o pátio. Vira-a bem ao longe de vermelho e correu como todo o folgo que tinha no peito. Chegando perto dela, pegou-lhe ao colo, beijando-a de seguida. Esta sorriu com olhos a brilhar. No fim de terem dado 3 a 4 voltas, atiram-se para cima do trigo. Deixam-se estar assim durante uns largos minutos, observando as nuvens no céu azul marinho. Pedro, levanta a cabeça, e pergunta à sua amada, pegando-lhe na mão: Queres sair de casa e ir visitar o povo que anda neste momento nas ruas e nos seus afazeres de cultivo? - Sim!

Não é preciso apenas o amor, como razão para viver.

sexta-feira, agosto 13

História - As primeiras ideias. 2

Os dias eram preenchidos a correr ao sabor do vento. Nem todos eram iguais. Muitas vezes, fechado no quarto com o frio a gelar as plantas, via com algum desagrado as pessoas mal vestidas, a espirrar limpando o nariz à manga da roupa que tinham no corpo. Os filhos destas pessoas a ajudarem na mesma na colheita e tratamento das terras. Sentia-me mal ao ver aquilo. Mas nada podia fazer. E quando queria brincar. Bem, não brincava. Principalmente com os outros rapazes da minha idade. Tudo porque o meu pai imaginava que filho de rei, não deve nunca brincar com os filhos do povo. Não se deveria envolver nas brincadeiras de filho de pobre com o medo de que apanha-se alguma doença. A doença de pobre. Ele sabia que muitos morriam de frio ou dedo dedo apontado do extremo calor que se fazia sentir em dias de verão. Para ser sincero as atitudes que o meu pai tinha para quem trabalhava para ele na altura, eram deploráveis. Não entendia nessa altura que teria de haver sacrifícios para o bem do reino. Iria ter de aprender a ser cruel e bondoso para com as pessoas. Mas sobretudo nunca deixar de mandar no território que seria meu.


A 26 de Maio de 1328, tempo em que fiz 8 anos de idade à cerca de 1 mês. A minha irmã Maria, casava com Afonso XI de Castela. Foi uma cerimonia grandiosa. Estava tudo tão preparado ao pormenor que nada faltou. O meu pai obrigou a abrirem pipas com vinho com alguns anos de conservação para tal acontecimento. Afinal, iria casar a sua filha, futura rainha de Castela.

-Pedro? - Gritava a minha mãe preocupada por ainda andar não estar pronto e bem vestido.
- Oh mãe, porque tenho de ir? - Porque é teu dever mostrar apoio à tua irmã nesta fase da sua vida. Compreendes?
- Não. Vai haver leitão? - Perguntei entusiasmado. - Sim Pedro. Há sempre leitão. Meu rufia.

O festim que se preparava à pouco menos de 2 dias seguidos envolvia mais de 40 mordomos, criados e criadas. Apesar dos preparativos e da rapidez com que já andavam as pessoas preparando a comida, levando-a à mesa, arrumando pratos, tirando e limpando talheres de gavetas pouco abertas. Bem, a agitação era grande e iria tornar-se pior. Pois todos os fidalgos, nobres, gentes do clero e família do príncipe castelhano que iria casar com a minha irmã, estavam agora a chegar à grande sala de jantares.

quinta-feira, agosto 12

História - As primeiras ideias.

Um dia sorriste para mim. Proferiste as palavras que nunca mais me esqueci. Com aquela tua voz doce, sincera e comovida de tanto amor que te aconchegava o peito. Dizia que estavas prestes a chorar nos meus braços. Mas fizeste-te de forte, e, ao viraste para o meu peito, colocando as mãos sobre o meu, batendo de alguma maneira com força sobre eles, desejaste bem alto eu ser teu para sempre. Que em nenhum momento te deixasse só. Que te amasse como pessoa. Como mulher. Como mãe dos nossos filhos. Até que, me olhaste nos olhos e disseste a chorar: "És mais que um príncipe Pedro!". Foi a coisa mais profunda que me disseram. Lágrimas limpavam-me a cara. Os lábios secos ficaram tingidos de um vermelho vivo. As bochechas viraram cor-de-rosa e perguntaste como se fosses uma pequena criança. - Porque choras? - Choro porque te amo. Roubaste-me o coração nesse dia. E desde aí, foi para sempre. Levaste a manga aos meus olhos, limpando-os com delicadeza. Então no meio deste limpar, sorrateiramente deliciaste-me com um beijo teu. Um beijo doce, calmo e amoroso, capaz de me fazer arrepiar de tão profundo que foi. Peguei-te na mão, sorrindo disse: - Vamos comer, o sol já se põe. Retorquíste com um sorriso e um sim com a cabeça, virando o olhar ao chão. Contemplavas-me o olhar. O olhar que observava o horizonte. O futuro que não via, mas sentia-o no peito, como quando o vento me bate na cara.

Lembro-me bem deste dia. Hoje não estás cá para recordar. E por isso escrevo-te esta carta. Este gosto por ti colocado em letras, para colocar no teu caixão, meu grande amor.

Começaria por explicar o meu nascimento. Ou pela minha louca paixão que um dia tive por alguém tão belo como Inês. A pessoa por quem eu eu fui "Até ao fim do Mundo". Certo, não desmentido as pessoas, nasci rebelde. Gostava do campo. Do verde das florestas e do ar estranho de cheiro a pinheiro que cheirava no seu interior. Crescia feliz. Sem saber o que era ditar regras, mandar. Mas, sempre me fez imensa confusão tudo aquilo que o meu pai fazia às pessoas. E não conseguia perceber porquê. Com 8 anos, abria a porta do quarto bem devagar sem fazer qualquer barulho. E saia a correr, depois de verificar que toda agente estava a dormir. Corria como um maluco a ser perseguido por lobos. Corria para o campo. Adorava ver as estrelas por entre as árvores. Ver o céu completamente negro. Apreciava os momentos em que as estrelas raspavam no céu, deitando faiscas à sua passagem. Admirava-as. Ali, completamente espetadas no céu. Olhando cá para baixo. Oh. Adormecia no manto de folhas previamente preparado, chegando a acordar depois de toda agente já estar com os seus afazeres. Sobressaltado, corria, limpando-me de alto a baixo, das folhas húmidas agarradas ao meu corpo. Corria o castelo por esconderijos e passagens estreitas. Fugia em direcção ao meu quarto. Pois àquela hora do dia, andava tudo novamente preocupado pela minha segurança. O meu pai. Tinha acabado de enviar os seus guardas fieis à minha procura. Não tivesse eu sido raptado ou algo que lhe tirasse o único filho que tinha.

Pilot - História

terça-feira, agosto 10

Pilot - História

"Diz-se haver no norte de Portugal um rio cujas águas roubam a memória." Também há histórias que permanecem escritas em papel durante algum tempo, mas que rapidamente se desintegram com o tempo, ou os bichos se encarregam de comer o que resta das suas folhas. Outras são cravadas na pedra e por lá ficam durante umas centenas de anos até que o tempo gaste o que lá foi cravado. Outras histórias, essas, ficam para sempre no peito, como a nossa língua materna nos fica na ponta da língua.

Na manhã do dia 8 de Abril de 1320, numa cidade chamada Coimbra, ergue-se um nevoeiro cerrado. Impossibilita a visibilidade para qualquer caminhante ou carroça que se fizesse à estrada. O ar, húmido e frio, lá se ia encaminhando para os becos negros por entre as casas quase coladas umas às outras. - Nasceu! É um rapaz. - Gritava uma parteira que assistia Beatriz de Castela, no nascimento do seu filho. O Rei Afonso IV, deu uma rápida corrida até aos aposentos onde a sua mulher deu à luz. Um médico e dois guardas impediram-lhe a entrada. - Exijo ver o meu filho! - Grita numa ansiedade descontrolada, enquanto se gesticula, tentando libertar-se a todo o custo dos dois matulões que o impedem de ver o seu filho. - É um rapaz senhor. Tentai ter calma senhor, em breve irá tê-lo nos braços. - Nessa manhã o rei dirige-se novamente ao quarto da sua mulher para satisfazer o coração, vendo o filho e se puder, pegar-lhe ao colo. - Que nome lhe vamos dar? - Diz a recente mãe e também princesa de origens castelhanas ao seu amado rei. - Pensei em Pedro. Que achais? - Pedro? Bonito nome. - Sim, será o primeiro!
Os dois, deitados na cama com Pedro no meio, vão sorrindo, olhando nos olhos um do outro, como se conseguissem ler os pensamentos um do outro.

Fora do castelo, a manhã era só mais uma. Mais um dia tranquilo, um dia rotineiro. O nevoeiro já ia alto quando o galo desperta para ir fazer as honras aos camponeses que trabalhavam para as terras do rei. Continuava-se as colheitas, o lavrar das terras com as enxadas, outras usavam os arados para levantar as terras negras plantáveis. O filho mais velho, João, abria caminho à água para que esta regasse e saciasse a sede às plantas cultivadas para serem colhidas no próximo verão. Matilde, irmã gémea de João cuidava dos irmãos mais novos, enquanto o Pai trabalhava no campo ajudado pelo filho mais velho. A mulher cuidava dos animais. Com a hora de almoço a avistar-se, tinha de rapidamente preparar o almoço.

Ok. Eu sei que isto pode ficar melhor. Mas é só uma tentativa de dar um começo à historia do livro que quero escrever. :/

domingo, julho 4

São as letras na carta...

Ainda te lembras? Ainda te lembras do tempo em que tudo era perfeito e fofo? Colorido e amistoso? Lembras-te? Consegues recordar-te do que sentíamos, do que vivemos à tanto tempo? O que éramos e deixámos de ser. O que fomos e não somos mais. O que queríamos ser e, neste momento, não somos nem metade do que pensávamos vir a ser. As travessuras, os malabarismos de fim de semana. De como tentávamos mudar as coisas, mudar o mundo com as nossas coisas estúpidas e ideias de garoto ignorado, ou self-ignorado. Mas nunca deixamos de ser o que fomos no fundo. Os garotos, as tentativas de nos encontrar-mos no meio de nós dois. Durante estes 20 anos, e pensar no futuro e... E achar que nada irá mudar. Não assim, tão violentamente. Quando éramos garotos, já mais pensaríamos que seriamos o que somos hoje. O que temos e o que tivemos. As emoções e os espíritos mútuos. As brincadeiras desde que o sol acordava, até que se ia deitar. Era tudo constante.

Ainda te lembras, de quando o coração batia com força no peito e nos fazia sentir coisas extraordinárias? De como tudo era tão... Tão cheio de magia, e nós, pequeninos no mundo dos adultos nos esticávamos em todo o lado, querendo parecer maiores, parecer menos crianças e mais adultas? Entendes? A vida é efémera e mesmo assim, ignoramos e negamos que o que quer que passe mais rápido do que o próprio tempo e nos leva a vida toda, nos deixe de alguma maneira felizes por termos vivido da maneira como vivemos. Nunca destruíste a minha liberdade. E se alguma vez o fizeste foi porque aceitei.

São as letras na carta que transmitem os sentimentos, não quem as ousou usar...

quinta-feira, julho 1

Tenho saudaditas

Tenho saudaditas, mas daquelas pequenitas do estrebuchar, do deitar baba e ranho. Queimar os pulmões todos com a choradeira e a gritaria que costumava fazer quando algo não corria como eu queria, ou quando o papá e a mamã não me faziam as vontades, tirando-me ou não o que mais gostava e que sabiam que me deixariam calmo o suficiente para obedecer e fazer o que eles tanto queriam que fizesse. Agora não é gritos nem nada mais do que um simples tom de voz maduro, confiante do que quer e então começa a discussão com o pai e a mãe. Um diz que sim, outro diz que não, ficando sempre no meio do que quero fazer ou ter.

Aquilo que mais me fazia impedir ou tentar não chorar, era o facto de ficar com falta de ar quando era mais novo, ou melhor mais pequeno. Odiava ter de chorar, pois lembrava-me do susto que apanhava por não conseguir respirar. E então sabendo que não conseguia, ficava assustado e aí ainda era pior. Era isso e palmadas... Oh, ainda me lembro da mão do meu pai que ficou marcada durante 2 horas no meu rabo por lhe ter partido uma coisa que agora não me lembro. Ainda bem que era puto e bué da novo. Um gajo quando é puto a dor passa num estante. É como os bêbados. ^_^

sexta-feira, maio 14

Quero ir morar para a cidade...

City of Love. by ~sinthal
Quero ir morar para a cidade. Alugar um apartamento e por lá ficar a partilhar um quarto e uma cama contigo. Saborear os ares das gentes, do pão fresco e quentinho acabado de sair do forno da padaria em frente. Sair bem de manhã da cama. Acordar a olhar para ti, vendo-te sorrir como um bebé, beijar-te a testa e preparar-me para mais um dia. Tomar banho e sair para comprar o pão matinal que te espera todas as manhãs na mesinha de cabeceira. E sei bem que tu gostas. Ficas com as faces rosadas e cara tímida, mas com um enorme calor no peito, de satisfação exaltada. Como gosto de te ver assim.

Pegar nas chaves do carro, no telemóvel e na carteira e ir directo para a universidade. Ter aulas até às 2 e voltar para casa para te acompanhar no jantar. És estudante de design de moda e por isso tens sempre a manhã toda para ti. Despacho-me, dando um beijo com sabor a morangos. Voltar novamente para a universidade e acabar o resto do dia pegado aos livros, vendo-te chegar a casa lá para as 8 da noite porque entre tanto ainda foste arregalar a vista nas lojas de roupa pela baixa. Vês a mesa pronta e pensas que hoje vai haver caso. Por acaso não. É apenas um dia normal em que me sinto bem e gosto apenas de partilhar um bocado dos meus conhecimentos na cozinha e dar uns quantos amores à minha bela adormecida citadina. 

Ter uma noite mais ou menos normal. Uma camisa aberta e deitada ao lixo. Acordar novamente de manhã e desta vez... Adocicar o ambiente, tornado-o mais fofo e deixar um bilhete de despedidas contendo: 
"Saí cedo, não te quis acordar. Amo-te! Beijinhos*" Mas eu estou mesmo ali ao lado, a ver televisão, esperando que te levantes e vamos passear um bocado até ao parque da cidade.

sexta-feira, fevereiro 19

[História] Continuação

Teu pai, D. Sebastião, morreu a 4 de Agosto de 1578. Foi um valente homem, e gostava que o visses assim na tua cabeça. Tive-te quando ele partiu para aquela batalha, que tanto lhe dava a volta à cabeça. Sonhava, sonhava muito. Sonhava com um dia, em que o povo Português de cabeça erguida, e de valente alma, caminhando e navegando pelo mar.

- Como é que minha mãe o conheceu?
- Meu filho, faz hoje 22 anos que conheci o teu falecido pai.
- Como era ele?
- Oh filho, ele não só era o homem mais bonito da zona e arredores, como o mais charmoso e carinhoso com as meninas que conhecida nas cortes de seu pai, ou nos almoços e jantares reais, a que seus pais tanto o habituaram. Tudo aconteceu num desses jantares...

[Primeiro post é o começo desta história]

[...]
Ouve os pratos, lá no fundo do corredor, vindos da sala de jantares, os pratos e os preparativos de mais um dia. Acordara de sorriso satisfeito, dormiu bem, está bem disposto. senta-se, dizendo aos seus outros criados, que se sentem também, que descansassem, aproveitando para comer o que estes lhe fizeram com tanto cuidado e bom trato.

- Comeis, meus caros. Não tendes medo de comer, pois foi feito por vós. Não tenhais medo. Comeis. Vá. Acompanhem-me nesta manha bonita. - Sebastião era assim, amigo de quem o tratava bem, e de quem muito trabalho tinha. Muitas vezes, poderia-mos vê-lo na cozinha ou nos campos de cultivo, ajudando os pobres que mal nada tinham para viver. Era uma alma pura, no meio dos seus mirabolantes pensamentos e ideias, era puro. -

Esta história agora foi estranha. xD

domingo, fevereiro 14

[História] Inicio de um todo

Segunda- Feira, dia 14 de Fevereiro do ano 1598.

Está calmo o vento. Arrefece o ar quente que vem do baixo da serra. Embate nestas muralhas de pedra, de um tom negro, devido às chuvas fortes e à humidade do cimo deste monte. São 6 e pouco da manha, o sol nasce, como é seu costume. Nasce vivo e brilhante. Dá cor ao manto verde, repleto de flores, das mais variadas cores. O seu calor, faz sorrir até as crianças mais pobres, que vivem para lá das muralhas do castelo.

Rei, este de queixo firme, cara pálida, onde nas mãos usa os anéis de rei a que lhe dão direito de reinar naquelas terras conquistadas aos mouros pelos seus antepassados. Acorda, iluminado por um raio de sol, que teimou entrar no quarto real, fazendo-o acordar de um ápice, dizendo-lhe ao seu ouvido, o bonito dia que iria estar e que não se ia arrepender de o viver na sua memória para sempre, até chegar a sua vez de lutar ao lado de Deus, no seu paraíso eterno. Acordou. Sim, acordou bem cedo. Vestiu-se bem calmamente, teria tempo para fazer tudo hoje. Colocou à cinta, a sua espada, oferecida por seu pai, quando, das lutas pelas terras de "Alcácer Quibir", lutava como um bravo homem, de cabelos loiros de caracóis perfeitos, vivendo os sonhos dos portugueses nos seus grandes olhos azuis.
Mirou pela janela o sol lá no topo do mundo, olhando para ele, esboçou um pequeno sorriso, como as crianças num dia de anos. Mirou-o, contemplou-o sem demoras, ajeitou o seu cabelo, herdado pelo pai. Sentia-se pronto para mais um novo dia.


Fechou os olhos, recebendo de bom agrado, os abraços que este sol lhe dava.

O sol já vai alto...

sábado, outubro 3

[História] Continuação...

Inês corre para o campo carregado de árvores como diz o livro. Depara-se com a maior árvore mais velha que vira em toda a sua vida até àquele. Dá a volta à árvore e depara-se com a inscrição do nome de “Sebastião”. Vá meio apagada, passa os dedos sobre a superfície rugosa da casca da árvore, sentido aquele momento mágico.
Continua a ler onde parou.

- Escreve o teu nome na minha barriga. – Diz a árvore.

E então, Sebastião escreveu com imenso talento na casca da árvore.
- Sebastião! – Grita a sua mãe.
Este, corre, gastando todo o ar que tinha nos pulmões naquele momento. Nem pensou mais do que duas vezes em correr de uma vez só, recuperando o folgo. Fez por todas as vezes que se “teletransportava”, poupando os pulmões e as pernas.

É hora de tomar o lanche das 4/5 horas. Lá vai ele lavar as mãos todo pimpolho, com um sorriso nos lábios. Foi a primeira vez que os olhos dele reluziram tanto na sua vida. Foi de ver tanta comida deliciosa que podia meter à boca.

(Fim Do Primeiro capitulo)

Ainda estou a criar a história, ou pelo menos ver as voltas e os segredos que ainda poderei fazer pelo meio antes de partir para a acção.
Sebastião Miguel de Sion Motta - É o seu nome.

sexta-feira, setembro 18

[História] Continuação...

Dirigindo-se à porta que dava acesso ao enorme jardim verdejante, tropeça num taco meio solto, atirando-o com enorme força ao chão. Ergue-se e fixa o taco, fazendo-o desaparecer misteriosamente. A sua mãe não acredita no que acabou de acontecer, esfrega bem os olhos e este, sem que ela se aperceba, baixa-se coloca o taco na mão e coloca-o de novo, muito antes de a sua nova mãe se der conta que saiu realmente dali um taco. Abre os olhos e Sebastião tem todo o cuidado em colocar o taco enquanto esta o vê. Permanecem calados enquanto Sebastião passa por ela. Ela fica estupefacta a olhar para o taco. Vai até junto deste e tenta ver se é verdade que ele lá esta. Dirige-se para o seu quarto onde vai conversar com o seu marido.
- Juro-te que vi o taco desaparecer assim do nada. Eu fiquei parva nem quis acreditar.
- Calma Joana, é apenas novo na casa e certamente estás tão confusa com a nova pessoa cá em casa que tens desses ataques de pânico com o medo de que algo de mal lhe aconteça, que podem causar esse tipo de distúrbios.
- Juro-te Pedro. Eu aposto no nosso casamento em como aquele taco desapareceu sem ninguém lhe tocar.
- É imaginação tua meu amor. Descansa. Estás cansada. A viagem foi longa, descansa

O pequeno menino dos poderes mágicos alegremente vai saltitando, explorando o novo local para praticar as suas novas magias e habilidades fora do normal em segurança e longe dos olhos de tudo. Enquanto saltita, avista uma árvore centenária, bem grande e carnuda. Manda uma pequena corrida e chegando-se perto desta, começa por a investigar. Cada pormenor é gravado com os seus pequenos olhos.
- Estás assustada árvore? Tens frio? Sentes-te sozinha? Posso fazer-te companhia?
- Vejo-te muito perturbado, jovem amigo. Porque não sorris? A vida é pequenina e tão cheia de coisas más e boas que nos deixam sozinhos. Muitas vezes para nos tornar-mos melhores do que no dia anterior. Sê. Aprende.
Sebastião espantado fica paralisado e só consegue dizer duas palavras durante todo aquele momento.
- Tu falas?
- Falo sim, jovem amigo. Falo porque é assim que tu me sentes, que tu me vês.

Fods --' O PC bloqueou, reiniciou, perdi metade do texto, já estava feito e porra deixei de ter vontade de me lembrar. Fods. --' É por estas e por outras, que o Windows só devia bloquear e reiniciar quando eu quisesse e não quando lhe apetecesse.

Só me consegui lembrar disto e esta parte sim é importante.

- Escreve o teu nome na minha barriga. - Diz a árvore.

quinta-feira, setembro 10

[História] Continuação...

"Sebastião tinha passado assim a maior parte da sua vida. Enfiado naquele orfanato. Quando chegara aos 16 anos, fora obrigado a viver com uma família de acolhimento. Os pais eram pessoas abastadas da alta sociedade portuguesa. Sentia-se bem e alegre por encontrar uns padrastos tão bons e delicados com ele. Assim como atenciosos com tudo o que lhe era novo. Para eles era um pequeno bebé. Para Sebastião era um sonho tornado realidade, e para mais tinham um enorme jardim com um rio a correr bem lá em baixo. E uma vedação branca que protegia um enorme campo com arvores aleatoriamente espalhadas sem algum sentido. Os novos pais, levaram-no para o seu enorme quarto com vista para tudo. Para o grande jardim, para o campo ao lado repleto de árvores, e para a cidade. Pousa a sua caixa com os seus pertences, arrecadado durante os anos que frequentou o orfanato. Depressa faz esconder o seu caderno dos poderes mágicos. Espalha as fotografias e os seus objectos pelo quarto. Vai até à cama e atira a caixa para de baixo dela. Agora está na hora de ir basculhar os cantos todos à casa.
Cozinha e uma sala grande no rés-do-chão da casa. Enormes janelas com vista para o enorme jardim, deixando entrar o sol de maneira divertida. Um quarto de hospedes, metido para dentro da casa, tornando-o frio e escuro. Apaixonou-se pelo quarto de imediato. Entrou por ele a dentro, desvendando todos os seus segredos e cantos."
Caramba e quarto existe aqui em casa. E aquelas enormes janelas e a sala e até o quarto dele. - Pensa Inês muito concentrada.

domingo, setembro 6

[História] Continuação...

“Volta para o mundo real, fechando os olhos com força, pensando no seu quarto. Chega lá numa estante e nem 2 minutos tinham passado. Coloca tudo de novo na gaveta e fá-la desaparecer. Volta para a sua cama, empoleirando-se um canto da janela com os cotovelos apoiados no cimento frio, deixando-o a contemplar a vista lá fora. Está um belo dia. Dia de verão. Dia de alegria para as crianças do orfanato.
Sai do quarto a correr, enfiando-se num canto, a contar as pedras amontoadas por crianças que brincaram com as mesmas, da parte da manhã. Dando voltas e parando para se sentar, dá um pontapé numa pequena pedra que por azar vai ter para perto de um grupo de 3 garotos.
- Hei!! – Diz um moço mais gordo. (Tem sempre de haver um gordo mau na história)
- Foi sem querer. – Diz Sebastião com voz de menino.
- Não, não foi. E vais ter a lição que mereces por nos mandares pedras.
Puxando os pulmões ao extremo, expira com enorme força. Força o seu olhar nos olhos das suas vítimas e começa a causar-lhe ardores no seu interior, e ainda assim deixando-os sem poder conseguir deitar um grito de ajuda. Irão ter pesadelos durante a noite. Assim que aquela situação aconteceu, ambos os garotos correram para dentro do orfanato, para perto de uma pessoa mais velha para as proteger.

Causar dor às pessoas sem sequer lhes tocar?! Só o pai dele tinha essa capacidade fora do normal. Assim como levantar objectos e fazê-los mover sem lhes tocar. Assim como entender animais. Os seus outros “poderes” foram ganhos da parte da sua mãe. Poder ler o pensamento das pessoas, assim como as baralhar toda. Assim como fazer coisas desaparecer e viajar ao visualizar o local. É claro que tem outros poderes. Mas… Esses ainda não os encontrou, ou não os sabe usar como deve ser.”

Crédo. Sinto como se tivesse a viver ao lado dele, como se tivesse aqui comigo a ler o que é dele. Parece tudo real.” - Diz Inês ao acabar de ler tudo isto.

Nota: Já vão ver mais coisinhas novas. Tantas ideias meu deus.

"Godzila é um cometa" (A)

terça-feira, setembro 1

[História] Continuação...

Depois de uma tarde bem passada. Encostada à árvore que lhe dava abrigo do sol, Inês, deixou-se adormecer. Passou ali a manha e a tarde toda. A mãe tinha saído à pressa para ir ver a sua mãe que estava num hospital privado em Coimbra. (Podia ser em Lisboa ou no Porto, mas estou farto dos mesmos lugares.) E enquanto isso, não se lembrou da filha até chegarem as 2 horas. Telefonou, mas do outro lado ninguém atendia. Mas a sua mãe tinha deixado recado: «Filha, tens comer no frigorífico, e os restos no microondas. Come qualquer coisa. Beijos, a mãe ama-te.»
Inês acorda, com os olhos bem cansados, de tantas horas expostas aos ventos amenos que se faziam sentir naquele campo. Fechou o livro. Já tinha baba num dos cantos da boca, mas nem ligou. Com a cara de sono que tinha, e os músculos ainda dormentes não fez nada. E uma das gotas de baba, caiu na sua mão direita, fazendo a dar um salto com os pulmões. Fechou o livro, marcando-o como de costumo, e dirigiu-se para casa. Tinha na cabeça que ia continuar a ler o livro mais tarde, que agora ia telefonar à Joana, a perguntar se queria sair com a Mariana e o Emanuel. Talvez fossem ao cinema. Já estava a engendrar um plano de fuga para um centro comercial perto.
Telefona à Joana:
– Queres ir com a Mariana e o Emanuel até ao chopping?
- A que horas? – Pergunta indignada.
- Aaaa, tipo… Agora? :s
- A ok na boa. Ficamos por lá até às 9, 10? Depois quero ir até à esplanada, vou ter com o Ricardo. Não querem vir depois? – Diz a Joana toda contente aos pulos em cima da cama.
- Sim, vamos. Vou-lhe só telefonar a confirmar que também vais.
- Ok até já, encontramo-nos na paragem então.
- Está, beijos, minha lésbica. (a)

Encontraram-se e dirigiram-se ao fórum os 4, sempre na risota e a fazer macacadas para a câmara do telemóvel.
Olhem pessoal. - Disse Inês tirando da enorme mala, o livro que ela começara a ler. – Este livro é magnífico. Eu vou ver se encontro para vocês lerem. É mais que lindo, e para mais é tão interessante que até me deixa água na boca. Sério. Ainda não li tudo. Ainda nem o primeiro capítulo passei. Mas digo-vos que é, sei lá, mágico.

O Segundo capitulo está próximo. (a)

domingo, agosto 30

[História] Continuação...

Antes de prosseguir, Inês foi interrompida pelo sol que banhou a folha, deixando-a sem perceber as palavras lá estampadas. Fechou os olhos e voltou novamente à folha.

“Comeu, foi para o seu quarto a correr, fechando a porta com cuidado, para não ser chateado pelos sermões das funcionárias. Fitou uma gaveta, e revirou os olhos, e abrindo-a, retirou da gaveta, um pequeno lápis e um caderno, onde escrevia pequenos pensamentos e técnicas de melhorar as suas habilidades. Escrevera sobre pássaros, de como conseguiam viajar por todo o lado, sem pedir a ninguém, apenas bater as asas e voar.
Fora a correr trancar a porta do seu quarto. Vestiu-se de forma a ir correr, pegou numa das fotografias espalhadas pelo quarto. Um pequeno penedo no meio do mar alto virado para uma enorme gruta. Observou-a, fechou os olhos e sem demoras, apareceu nesse pequeno penedo, mesmo à entrada da gruta. Voltou a fechar os olhos. Está dentro da gruta. Pega num pequeno pau, e diz umas palavras numa língua esquisita e o pau ganha um enorme clarão na ponta, iluminando metade da gruta. Sebastião vai para lá sempre que pode, para descobrir e aventurar-se mais sobre tal gruta que o deixa fascinado. Num dos corredores, existe um salão enorme com um pequeno amontoado de pedras, com objectos seus. Repousa num canto. Aquele pedaço de terra, não tem tempo, nem contagem de nada. Os relógios lá estão parados. Cada lágrima que solta, torna-se numa anedota que fica pelo ar até parar de se rir. O mundo lá é o contrário daquele em que ele vive. É diferente. É mágico, calmo. E gosta de lá estar.”

Inês encantada, correu o jardim, em direcção a uma cerca meio desvairada e partida. Pulou por cima dela e correu em direcção ao enorme campo, repleto de árvores colocadas completamente ao acaso causando uma das imagens mais tranquilizantes que vira na sua mente. Sorri e risse com os pulmões a bombear o ar novamente para fora para receber mais e mais. O coração salta de contemplação. Os seus olhos brilham com uma concentração fora do comum. Senta-se por fim. Encostando-se a uma árvore e repousando a cabeça num tronco meio saído da árvore. Volta a abrir o livro. E continua com a história que lhe está a tirar o coração das mãos, enviando-a para um mundo onde as surpresas são reais e a harmonia do silêncio é mais do que a melodia das pessoas com quem nos damos.

sábado, agosto 29

Continuação

Inês surpreendida com a habilidade do rapaz do livro, depressa se tornou claro na sua mente que também queria tal habilidade. Tentava de forma exaustiva fazer o mesmo, mas não com pessoas, apenas com os bonecos que permaneciam no chão. Leu por um bom pedaço de tempo, mais algumas páginas escritas à máquina, sentando-se bem devagar na cama.
Já cansada dos seus olhos verdes, e com a cabeça a fazer-lhe zumbidos nos ouvidos, decide parar. Decora a página, enquanto coloca um pedaço de cartão que encontrara no inicio do livro. Fecha o livro com extremo cuidado. Tratara o livro como se fosse um bebé. Sentia-se que o livro tinha magia. Sai da cama, em passo lento e aventureiro, dirigindo-se para a porta. Espeta repentinamente a cabeça fora do quarto, enquanto observa um pequeno corredor, coberto de uma alcatifa antiga, enfeitada com umas formas um tanto estranhas. Põem um pé fora do quarto e sente um calafrio correr-lhe corpo todo. Põem o outro também a jeito de não cair. Passa o livro para a outra mão e pousa a mão direita, num varão posicionado no lado direito. Dá passos leves sobre a alcatifa, na direcção da escada onde pára inerte sem saber que passo faz agora. Com cuidado, vai descendo as escadas bem agarrada ao corrimão do lado direito. A sua figura parece a de uma velha de bengala. No final das escadas, ouve vozes vindas de um sítio iluminado naturalmente. Ouve a voz de uma mulher. Segue a voz que atormenta o ar e encontra a sua mãe.
Fazem-se suar os pequenos pardais da primavera lá fora, no enorme jardim em frente há casa.
- Bom dia filha. Demoras-te a acordar. – Diz a sua mãe com um sorriso estampado no rosto.
- Mãe?! – Naquele momento ficou com um enorme vazio mental.
– Diz filha. - Mãe?! - Não sabia, mesmo o que dizer, ou sequer pensar. Não sabia quem era aquela senhora que a tratava por filha. Era estranho para ela. Algo não estava bem. Fez-se silêncio por uns dois minutos, enquanto ambas olhavam uma para a outra de olhar serrado a tentarem perceber que piada de mau gosto era aquela. Sem mais demoras Inês, diz: Há pois sim tu mãe desculpa. Não te estava a reconhecer, estás diferente não sei. – Deixou um grande sorriso de orelha a orelha no final da sua frase.

Senta-se num degrau, que dá acesso ao enorme jardim. Abre o livro onde o marcou e continua a ler a pequena história que a está a deixar intrigada sobre o menino e os seus poderes especiais.

“Sebastião? Vem comer, estás atrasado 5 minutos. – Diz uma das funcionárias do orfanato.
Sebastião sempre viveu num regime de horários e regras cuidadosamente pensadas e desenhadas. Sentia-se sempre preso nas ilusões e regras que os outros lhe colocavam nos ombros. Desceu para comer. Todos os meninos fitaram-no nos olhos, dizendo-lhe sem soltar uma palavra “Qualquer dia levas”.

sexta-feira, agosto 28

Cuntinuação da história.

A história começa neste post: As minhas almas...

Inês volta a enfiar-se na cama. É o único sítio, onde se sente refugiada. Ela não queria ouvir ninguém, se não o seu arfar Sentia que tinha um monstro cada vez que inspirava. Eleva a cabeça para a estante que paira fixamente por cima da sua cabeça. Olha-a durante uns longos minutos. Decide aventurar-se pelo ar, que acha estar contaminado de monstros pequeninos, impossíveis de se ver. Mesmo com o medo que faz os seus cabelos arrepiarem-se, ganha coragem, enchendo o peito de ar e pondo-se de pé, fica bem de frente para os poucos livros que lá estão colocados. Levanta bem devagar um dos seus dois braços. Cuidadosamente escolha o mais pequenino e mais gasto livro, é o mais velho livro presente naquela prateleira.
Era escrito à máquina com uma tinta especialmente desenhada para o efeito e textura de folhas. Parecia fazer uma mistura perfeita. Abrira-o com cuidado. Parecia-lhe um objecto estranho. No seu interior, na primeira página do livro, tinha letras, letras escritas à mão, de uma tinta azulada já um pouco gasta que esborratava grande parte de um nome antigo. Seguiu para a segunda página e começou por ler:

"O seu nome era Sebastião. Com a idade a rondar entre os 8 e os 12 anos, este pequeno senhor, era para muitos, uma personagem saída de um conto. Na verdade constava numa profecia. Um belo e elegante jovem, com uma inteligência fora do normal, onde mantinha professores e profetas a um canto. Tinha poderes, poderes tal e qual como aqueles que diziam Jesus ter. Este era bem diferente. As suas tardes não eram a brincar com os outros meninos, eram fechados no quarto a olhar pela janela do seu quarto, observando os outros meninos contemplados com coisas que para ele eram de perder tempo. Achava que lhe tiravam a criatividade. Que não o fazia de todo, ocupar a mente. Não se sentia a viver nesses momentos. Sentia o tempo voar quando isso acontecia. Quando brincava com os outros meninos. Foi desde muito cedo que se apercebeu disso. O tempo para ele parava quando ficava no seu quarto a observar tudo a acontecer lá fora. O vento e o seu barulho. O grito das crianças. As almas que o faziam arrepiarem de medo.
Não se sentia de todo sozinho. Era uma pequena criança, tratado com necessidades especiais. Não faziam grande esforço para o entender. No seu pequeno mundo, sentia-se o rei, o manda chuva de toda a sua realidade. Não era muito cruel. Apenas o suficiente para que os outros não se metessem com ele ou se chegassem perto dele com a intenção de o magoar de algum jeito. Consegue ler a mente das pessoas. Ele mesmo escreveu numa das pontas da sua secretária de madeira.: "Vi o que é que o João pensou"
Muitas das paredes do seu quarto estão cobertas de letras, palavras, números e desenhos. Algumas fotografias, estão espalhadas de forma cuidada. Com intenção de fazer lembrar alguma coisa que só ele saiba."