quarta-feira, janeiro 27

Sou duas pessoas.

Sou duas pessoas. Duas autenticas pessoas.
Num canto a pessoa humana com a sua consciência na terra, pensando relativamente bem, sobre todos os problemas que o envolvem e o inserem em tal sociedade, juntamente com as outras pessoas pouco ou nada comuns de se encontrar na rua ou em qualquer ponto de situação na vida.
No outro um ser insistente, que não pensa, não reage, apenas quer, e requer mais do que os outros mais lhe possam dar. Onde palavras residem sem nada saberem do seu portador de paraísos andantes, irreais, que nunca chegaram a existir, ou acontecimentos que nunca se fizeram acontecer. Vou brincando, com os momentos, desprezando os abrigos de todas as palavras que me tentam incutir. As palavras de calor, de conforto e de novamente abrigo.

À uma verdade, para cada mentira. E para mim, neste meu caso, há mais mentiras do que as próprias verdades que invadem o ar num acto majestoso de me penetrar os ouvidos, surgindo na minha mente, de forma a que todas as mentiras consigam ser extintas, tal como os animais. Construí cidades, escondidas dentro de mim, derrubei pilares precisos para o meu bom funcionamento. De orgulho apenas tenho o de conseguir exprimir o que com as palavras consigo fazer. Tudo aquilo que me atormenta e se aprecia dentro das minhas memórias ou paredes do meu quarto. Chamo pelas palavras que tanto ou pouco significado tem em mim. Se não têm significado, e são de tanto agrado que as quero ter presentes em mim, fazer delas as peças de arte que nunca foram em vida minha. Torna-las aquelas estrelas no céu, pelo qual vale tanto estar grato de estar vivo, respirando o ar contaminado pelos mais cruéis pensamentos ou de um destrutível propósito. Tendo em mente outras matérias. Horríveis e preocupantes.
Eu sou o monstro que não queres conhecer. Sou aquela cor preta, que tanto vestes na noite em que os teus familiares morrem. Sou a doença que te ataca sem saberes. Sou aquele demónio carregado de choro, incapaz de despejar tais lágrimas para fora do seu corpo. Um demónio de alma escura, sem perceber tudo o que aos olhos lhe atiram. Negando as boas palavras, as boas tentativas de dizer: "Parabéns, escreves muito bem." Mentira. Mentes com facilidade, apenas para o agrado momentâneo de um espírito cravado pelo tempo, um viciado em alegria, que apenas consegue de tanto esforço tirar os choros de todas as almas que já criou, tentando tornar-se melhor pessoa, à medida que o tempo e os anos passam e a solidão se vai instalando e colando sobre cada camada de coisa no corpo, pintando de cores escuras. Este amor, esta dor, queimam-me incontrolávelmente.

E agora, enfiar-me numa banheira com água, tirando as lâminas da gilete, e subtilmente abrir pequenos cortes nos pulsos, sentido o ardor, e a aceleração do coração, tentando descontroladamente parar de fornecer sangue a tais zonas.

Sou duas pessoas. Duas autenticas pessoas. O Amor, e o Ódio!

5 comentários:

  1. "Há uma verdade para cada mentira"

    esta frase resume tudo o resto, esta frase é capaz de resumir até uma vida inteira.
    Um beijo *

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  2. adorei :')
    E o teu blog está magnifico *.*
    beijinhooos

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  3. Querido Pedro, tenho a dizer-te que todos somos duas pessoas quando as circunstâncias da vida assim o exigem... Nao é por seres assim ou assado que as pessoas te vão olhar de lado. Todos temos segredos. Todos cometemos erros. Todos passamos no exame do tempo e vamos sobrevivendo...
    Nao deixes de lutar pela tua felicidade.
    Sabes que ando por aqui :)

    Beijinhos Pedro^^

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