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Segunda-feira

...simples demais...


Pode ainda um coração, ser partido, mesmo que este, tenha parado de bater?

Arranco as flores do meu jardim. Num acto desesperado, carregado de soluços, onde lágrimas rolam do rosto caindo nas flores. Arranco-lhes a vida, aquilo que eu mais queria, e que elas têm. E estava com a esperança de que ao arrancar ficasse com a vida delas, ou que aprende-se a viver com a vida deles. Mas enganei-me e acabei por matar umas quantas e acrescentar ainda mais dor, ao meu sofrimento.

São tão frágeis. Tão delicadas, em volta de tanta ternura e vida simples. Só consigo sonhar a sua vida a preto e branco. Sonhos, vazios de qualquer cor, sem noção do tempo. Sem noção do espaço, do que sentir, do que viver. Do que poderei viver amanha que ainda não vivi hoje. Não lhes consigo sugar a sua essência, a sua exclusividade. O seu segredo. Talvez até nem tenham nenhum segredo. Não tenham nada de especial. Esteja ali a olho nu. Só que... Não o consigo ver. Não consigo decifrar. Talvez nem seja preciso decifrar, apenas observar. Não sou capaz de... E o que farei quando desvendar o seu segredo? Tenho medo. Medo que se torne em algo simples demais.

Larga as flores menina de vermelho. Precisam de viver.