sábado, janeiro 9

Ela faz-me feliz...


Não sejas tola. Não atires isto fora, só porque não sabes funcionar com a coisa. Lá porque não tens nada a perder, não significa que tenhas de deitar fora tudo aquilo, que não compreendas, ou não faz as coisas da maneira como pensas. Com o coração, a bater com mais do que tu alguma vez conseguiste sentir, dá-te a oportunidade de te fazer sentir, todas as feridas abertas, causadas por ti, num acto desesperado de me conseguires por a funcionar à tua maneira. Até hoje, ainda não te pedi, para me pedires desculpas, tenho vivido todo este tempo, tentando aperceber-me de como funcionas com as coisas, até aos momentos mortos que se avizinham, sem que te apercebas e aí, reajo da maneira que não esperas. Tens visto pinturas perfeitas, textos curtos, um novo todos os dias, na tua mesinha de cabeceira. Como se trata-se de um ignorar, ou esquecimento de tudo o que me causaste no dia anterior. E deixo isso acontecer, porque quero, pois não vivo sem um bocado do teu mal a tocar no meu corpo branco pálido, frio e sincero. Vou-te dizendo males que deitas da boca para fora, assim como dos gestos que cometes. Não gostas, não te ficas pelo silêncio, como a minha anterior ex fazia. Gritas, prometes, choras baba e ranho, gesticulando os braços no ar, como se fosses a razão em pessoa, ou os orgulhos do bem fazer.

Acordamos de manha. Sábado, 10 horas. Vou tomar banho, e vens atrás de mim de mão a esfregar os olhos, remexendo nos cabelos, que subitamente tocam nos meus. Tens as mãos frias, deixando partes do meu corpo arrepiado de tal maneira... Passas essas mãos de deusa pela cara que te observa os olhos, registando todos os movimentos que a tua boa alguma vez fizer durante todo esse momento morto. Beijas-me com intenção de querer algo mais. Digo que agora não, e tu fazes cara de amuada e beicinho bébénhês, a romper o silêncio que pairava no ar. Deixas-me sem fala, com um desejo a crescer, cada vez mais. Um desejo de te puxar para perto de mim, despir-te de uma só vez e como que, comer partes do teu corpo, como se fossem aperitivos. Assustas-me, com os olhos brancos que me mandas.

Diz-me querida, consegues esperar de coração empolgado, gritando aos ventos e mares, de me voltar a ver, tocar, apreciar, viver, ...?
Ela faz-me feliz. É a estrela de todas as noites, que passo em branco. Quando a admiro a dormir, de sorriso colocado nos lábios, torna-a tão deusa, tão bebé e tão doce, num estado tão angelical profundo. De tanto mal, consegues com que veja tanta coisa boa.

8 comentários:

  1. As unicas coisas que nos fazem felizes, custam a conquistar. Acima de tudo porque tem de ser mimadas a bom gosto e pinceladas com muito amor...

    Adorei :)

    Beijinhos

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  2. Estava com saudade de ler suas coisas!
    Lindo como sempre!

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  3. são estas coisas que ajudam o coração bater <3

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  4. porque os seres masculinos agora são todos imaturos e tudo não me pareces mesmo nada do género. (A)

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