domingo, dezembro 2

Amontoados de palavras

Tudo o que me torna gente são palavras. Amontoados de palavras, curtas, pequenas, largas, grandes, enormes, complicadas, complexas. Moldam-me à sua maneira, criando este ser que sou hoje. Este eu que se cria e renova a cada minuto, a cada hora. O tempo não existe dentro de mim, não há um limite de palavras, de formação de textos, imagens, pensamentos, amores, complexos, aventuras, erotismos, romances. Tudo se transforma dentro desta cabeça rodeada de palavras, rodeada de uma adrenalina, de uma certa vida que só as palavras conhecem em pormenor.

Expresso-me em letras. Levando a palavras a tornarem-se entre longas e curtas até que o tempo dá frutos e se transformam em textos, carregados de expressões, dores, sentimentos, extravagancias, tristeza, ansiedade, excitações ou ainda a amores a que só o coração consegue dar vida. Vida em imagens visuais quase palpáveis com a mente, que batalha para se manter no topo de todos. Chegar ao topo, ultrapassar o limiar e dar-se ao céu, caindo sem corda, sem nada que ampare a queda. Assim que se cai vive-se o que não se viu antes, o que não se viveu no passado. Então transformando de novo as letras em algo que se palpe de novo o individuo vive coisas novas. Assim sou eu. Criando personagens, agarrando beijos, partindo e criando corações. Arrebatar multidões com o "não sincero" em vez do "sim falsificado" de expressão sorridente. 

Dá frutos esta coisa, esta coisa das letras, do complexo mental que se desenvolve no caos do nosso cérebro. As letras criam o ser, o individuo. Criam-me a mim na gente e na alma. Mas coisa que pena tenho, é não poder com elas safar-me da morte que é tão certa, tão dolorosa por natureza. Dolorosa porque nos tira palavras da boca, tira noites de bom sono, arranca de nós uma alma que parece deixar-se ir pelo ódio e a revolta que nos ataca todos os dias. Será hoje? Talvez amanha? E se vivermos apenas sem a morte na cabeça, surgem palavras confortáveis. São essas palavras que me pegam ao colo. São essas palavras que crio no meu ser para que me peguem ao colo.

Há apenas um pensamento que povoa na minha infinita cabeça... Escreve o máximo que puderes, sobre tudo o que conseguires, porque depois de morto não terás a força necessária para escrever todas as palavras que não escreveste em vida, todos os textos, todas as histórias que se soltam nos neurónios...

1 comentário:

  1. Pedro, escreves que é uma maravilha!
    vou seguir também este :)

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