sábado, abril 11

O Desvanecer de um Horizonte. - Parte 1

Manhã pálida. Carrega cravos brancos em ambas as mãos.
Solta-se uma brisa, que passa pelas frestas das janelas recentemente colocadas no quarto de Joana.
O quarto, com uma enorme vista panorâmica para o campo na parte de trás de sua casa, onde se pode ver o enorme rio que passa bem lá fundo no horizonte.

Joana, ainda dormindo, é levemente refrescada com a suave brisa que lhe atormenta os ouvidos, como se fosse um zumbido de um pequeno mosquito que vagueia pela noite em busca de luz.
Geme com o sentir do frio. Acorda num suspiro. Incomodada com tanto frio, decide levantar-se e ir fechar as portas de madeira, rangendo com a velhice de 48 anos. Cheiinha de frio, vai até ao armário para vestir mais uma camisola. Vêm-lhe o pensamento de urinar. Corre directa à casa de banho na esperança de aliviar aquela enorme vontade que se estava a tornar num aperto bem nas suas intimas partes.

- Pai? (Pausa) Mãe? - Grita questionando-se com a falta do barulho que a costumavam acordar todos os dias de manhã.

Corre a casa por completo por mais de 2 vezes. Desesperada sai de casa, e grita com a força do seus 19 anos. Grita desesperada. Sente-se perdida. Um calafrio atravessa-lhe a espinha, relembrando-a dos seus 6 anos, quando se perdeu pela primeira vez dos seus pais. Foi o seu primeiro momento de terror, pânico, de morte por susto. Está neste momento a sentir o mesmo. Sem tirar nem por. Corre directa para dentro de casa como uma criança com o medo dos palhaços do circo. Fechando-se dentro do quarto, mete-se em seguida bem debaixo dos cobertores brancos com um padrão abstracto de azul bebê e desenhos do Pato Donald. Respira com o coração a querer sair bem pelo meio do seu peito. Uma pausa de 10 minutos com a respiração bem acelerada dá-lhe tempo para acalmar e para que se tente aperceber do porquê de estar sozinha em casa. E então passa para uma histeria muda, fazendo lembrar uma criança curiosa que procura alguma coisa que não sabe bem o que é.

Não chora, não grita, não soluça, apenas respira fundo, bem fundo. Sente um ardor no peito, depois de ter parado de tanto gritar, as suas cordas vocais ficam inflamadas de tanto grito exaustivo que deu anteriormente.

Tenta manter a calma, seguindo para o quarto de banho. Depois de tomar banho e de se arranjar começa por procurar os pais. Mas nem sinal deles.

Mas para onde terão ido? - Questiona-se ela.
Tu qués ver que me deixaram aqui e foram passear? - Voltando-se para uma das janelas com vista para o enorme campo, reformulando o pensamento na tentativa de se tentar aperceber de toda aquela situação.

Senta-se no sofá da sala, na esperança de que os pais cheguem e a reconfortem.

CONTINUA!


Pedro Mota
Copyrigth © 2009

3 comentários:

  1. É por estas e por outras que faço xixi antes de ir para a cama (a), sabe-se lá o que dá na cabeça nos outros e desaparece tudo LOOOL

    Eu gostei do texto Pedrocas :')
    (além de ter ficado cheia de medo se algum dia me acontece o mesmo..)

    Mas aposto que a Joana é uma gaja toda SENSUAL!! 8D
    Vou virar lésbica :DD

    Beijinho à cão ^^

    ResponderEliminar
  2. A maneira de nos expressarmos é sempre diferente. Mas a realidade é que quando falamos acabas sempre por dizer-me (e eu a ti) que já escreveste (nem que seja só mais ou menos) sobre 'aquilo'... Perspectivas diferentes ou não isso não importa, importa sim que nos enriquecem.

    next:) A nossa escrita é continuada por quem ama as palavras tal como nós. São dádivas que deixas. São pequenos tesouros. Disponiveis para quem os quiser apreciar e descobrir. Imortalizas-te assim. É a tua obra que fica. Outros se seguirão.

    "Seja o que for que escreveres, eu vou ler, seja um texto longo ou curto. Gosto do que sai de ti, seja sem sentir ou sentido."

    *__* (virei manteiga)

    ResponderEliminar