quinta-feira, maio 5

Quando me ouves chorar no outro lado do telefone


Sinto o ar a bater-me na cara. Despenteando-me de seguida como se o ar em si tivesse mãos. Estás ao meu lado. Gargalhas que nem uma perdida. Estou feliz, porque para não te ficares a rir de mim, soltei-te o cabelo, que formava o rabo de cavalo que tantas vezes costumas fazer. Ficaste pior do que eu. Completamente despenteada, com o cabelo bem à frente da tua cara fofa, tapando o teu lindo sorriso. Avizinha-se a chuva. Surgem as nuvens negras ao fundo, bem para lá dos cumes, das montanhas verdejantes à nossa frente. Mas não tem mal, desde que esteja contigo, e tu comigo estejas, o sol irá sempre brilhar. Se não for no céu, que seja no nosso interior.

Ouvem-se as trovoadas das negras nuvens. Estou aqui, não tenhas medo. Eu protejo-te de qualquer raio que as nuvens soltem, nem que seja só para te assustarem e levarem de ti, uma cara de assustada. É por isso que sou teu namorado. Para te proteger, para segurar-te pela mão, levar-ta ao meu peito, e olhando-te nos olhos dizer-te que está tudo bem. Que tudo irá ficar bem, que estarei sempre aqui para te proteger. Sempre.

Quando me ouves chorar no outro lado do telefone, não tenhas medo, são só os meus medos a atacarem-me. Pois ao homem, nenhuma mulher lhe consegue tirar os desassossegos, os medos e as dores que o corpo sente. E por isso, choram os homens, sozinhos, por saberem que fazem mais que as mulheres, quando parem os filhos e lhes dão a educação. Oh, menino mascarado de homem, desejavas largar o peso dos ombros, para poderes abraçar de melhores maneiras quem te ama, e quem te faz chorar, por saberes que és tu, quem lhes dá a vida e o conforto de serem as melhores pessoas do mundo. Porque te ajudam, de outras maneiras, a acalmar o choro que trazes dentro de ti. São as mulheres que cuidam do nosso corpo, atormentado e aleijado. O homem que não passa de menino, dá o corpo ao diabo, só para poder amar melhor, a mulher que o tem como anjo da guarda. É certo que a mulher também sofre.


O homem, foi feito para carregar os mundos nas suas costas.
A mulher, foi feita para cuidar dos homens que carregam esses mundos.

quarta-feira, maio 4

Os homens não usam as mulheres como objecto sexual


O meu nome, falha-te dos lábios.  Ainda nem nos despimos e já mordes o lábio. Ainda nem nos cumprimentámos. Nem um aperto de mamas se deu, já estás a passar as mãos nas partes baixas. Delicias-te a lamber o meu peito. Já respiras de formas completamente alteradas. Excitas-me, sabias? E esse sorriso tão matreiro, tenho medo, não dele, mas de que o percas entre gestos e caricias que os lábios possam dar, ou que o desejo do teu corpo o oculte de mim. Respira ao mesmo compasso que eu. Tiro-te o top, muito depois de o casaco ter sido tirado. Solto o soutien das suas complexas manhas que o mantêm preso e firme. Desaperto-te as calças. E agora sou eu. Tiras-me a camisola. Coisa mais simples não há não é minha garota cheia de desejos sexuais? Desapertas as calças, e atiro-as para longe. Saltas-me para cima, com uma das mãos, tiras o que mais queres ter dentro de ti, e deslizas sobre ele. Pouco me importa como estás de fôlego. Esta tarde vai ser a doer.

Sento-me contigo em cima de mim, e as posições depois desta, são várias. Respiras fundos, desejas, suspiras,  amanhas os cabelos, e soltas gritos ao ar. Agarras-te a mim. Estás de frente para mim, deitada e eu por cima de ti estou, a transpirar, a aguentar cada segundo, só para te ouvir gemer só mais um pedaço. Só para te ouvir pedir por palavras curtas a "foda" que tu queres tanto ter comigo. Nesses teus braços que uma vez me tiveste com amor, tens-me agora pelo desejo ao sexo. Cada um goza a seu gosto e a seu tempo. Acabou-se mais uma tarde de prazeres. Amanhã há mais, se tu assim o entenderes. 

Os homens não usam as mulheres como objecto sexual, são elas que os usam a eles...

terça-feira, maio 3

O meu coração está tão pesado


Meu amor. Vem parar-me. Estou perturbado e possuído. E com todas estas horas negras que ainda estão para vir, só tu é que as podes parar. Trás de volta os ventos... Trás de volta esses teus braços para me protegeres. Solta o teu sorriso de novo diante destas horas negras. Acarinha o meu ser que se acanha com o medo e a timidez de enfrentar caras negras, que respiram como se tivessem os pulmões gelados.

Meu amor... Quero pensar nas coisas que posso fazer por ti. Tudo isto que sou. Um dia irá abaixo. Os ventos vão-me cercar por completo. Vão cair pontes, fechar-se portas até que a luz do sol se volte de novo contra os meus olhos. Até então, perdi-me no escuro, lutei e recuperei, fui posto de novo ao chão e do sangue que abandonou o meu corpo, nunca mais lhe foi posta a vista em cima. Levantei-me como um valente, abrindo a porta que merecia ter aberto. Por muita coisa que eu merecia nunca ter vivido. Levo-te flores, para saberes que mudei.

O meu coração está tão pesado, que não me deixa viver. Estou sem ti...

segunda-feira, maio 2

Tudo aquilo que a tua cara escondia.


Queria que soubesses que o que eu mais quero é nunca dizer-te adeus. Todos estes anos que irão passar, serão difíceis por saber que não te tenho junto ao coração. E, por isso fecho os olhos, na tentativa de que a tua cara nunca desapareça. Como acontece quando olho directamente para o sol. Adorava poder-te dar um beijo de boas noites sempre que te fosses deitar. Num dia tinha-te comigo, no outro, larguei-te a mão, sem pensar como seriam os dias depois dessa horrível desição. Eu ainda consigo sonhar contigo. Ainda tenho o teu cheiro na minha roupa. Ainda vejo o teu sorriso.

Tudo aquilo que a tua cara escondia. Tudo o que eu jurei para comigo que nunca mais te iria olhar nos olhos. Eu não prometi que nunca te iria ler, e quando o fiz, apercebi-me de que estavas triste, de que as coisas não estavam assim tão boas para os dois lados e que estavas desiludida contigo em primeiro lugar, e em segundo comigo, porque não fui capaz de te fazer sorrir mais vezes. Pegar-te pela mão e fazer ficar no meu colo, tendo os meus braços a cobrir o teu delicado corpo. Olhei-te nos olhos e prometi que nunca o iria fazer, porque desde o dia que a promessa foi feita diante de mim mesmo, para mim, vi nos teus olhos o amor que eu queria ter nos meus. Pelo menos a mesma intensidade, mas não o tinha e não te menti. Por causa de ter lido os teus olhos e jurado para nunca mais que o voltaria a fazer, descuidei-me e vi-te por inteira. Senti-te mal, distante e incompleta. E sabia que não ias ter isso comigo. Pelo menos como sou hoje.

Tenho de reconhecer que fui uma desilusão. Fui, não fui? Prometi-te o mundo, e nem o ar do mundo te consegui dar. Nem às nuvens te levei, nem uma estrela te ofereci e nem uma noite de lua cheia passei contigo.

Agora, vou até ali, bater às portas do Diabo.
Está na altura de seguir em frente e, ir vender o amor ao dito animal.