quarta-feira, agosto 11

Não sou a tua imaginação...


[via ~ theartit]
Estou a desfalecer neste dia de verão. Perco os caminhos por onde costumava andar. Perdi a maneira de olhar para o mundo. Novamente. Estou a fazer tudo de novo. Perdi o coração há muito tempo, e agora preciso de o reconstruir para ser tal e qual como me lembro. Construir o que mais gosto, colocar nele aquelas prendas. Aquelas raparigas, aqueles ares bonitos. Os gostos doces de lábios, os sentires que as pontas dos dedos me davam. Imaginar histórias de amor e colocar lá por dentro mais uns quantos sorrisos. Umas centenas de lágrimas. Mas o melhor é a realidade. Aquela a quem eu digo sempre adeus por o tempo nunca a deixar parar. Ele passa e eu tenho sempre tanta coisa para lhe disser. Tanta coisa para lhe mostrar. Todos nós sabemos que vamos um dia embora. No fim gostava de o poder parar sem o deixar de olhar, escrevendo o que me vai no coração. No fim acabar e dizer: "Desculpa, não posso ficar!"

Não quero parar de fingir. Ou parar de imaginar as histórias, os amores, as alegrias, tudo. Viver tudo o que puder viver. E sentir tudo enquanto for vivo. acalmando o coração na hora em que o mesmo não queira mais sentir tudo. Não sou a tua imaginação...

terça-feira, agosto 10

Pilot - História

"Diz-se haver no norte de Portugal um rio cujas águas roubam a memória." Também há histórias que permanecem escritas em papel durante algum tempo, mas que rapidamente se desintegram com o tempo, ou os bichos se encarregam de comer o que resta das suas folhas. Outras são cravadas na pedra e por lá ficam durante umas centenas de anos até que o tempo gaste o que lá foi cravado. Outras histórias, essas, ficam para sempre no peito, como a nossa língua materna nos fica na ponta da língua.

Na manhã do dia 8 de Abril de 1320, numa cidade chamada Coimbra, ergue-se um nevoeiro cerrado. Impossibilita a visibilidade para qualquer caminhante ou carroça que se fizesse à estrada. O ar, húmido e frio, lá se ia encaminhando para os becos negros por entre as casas quase coladas umas às outras. - Nasceu! É um rapaz. - Gritava uma parteira que assistia Beatriz de Castela, no nascimento do seu filho. O Rei Afonso IV, deu uma rápida corrida até aos aposentos onde a sua mulher deu à luz. Um médico e dois guardas impediram-lhe a entrada. - Exijo ver o meu filho! - Grita numa ansiedade descontrolada, enquanto se gesticula, tentando libertar-se a todo o custo dos dois matulões que o impedem de ver o seu filho. - É um rapaz senhor. Tentai ter calma senhor, em breve irá tê-lo nos braços. - Nessa manhã o rei dirige-se novamente ao quarto da sua mulher para satisfazer o coração, vendo o filho e se puder, pegar-lhe ao colo. - Que nome lhe vamos dar? - Diz a recente mãe e também princesa de origens castelhanas ao seu amado rei. - Pensei em Pedro. Que achais? - Pedro? Bonito nome. - Sim, será o primeiro!
Os dois, deitados na cama com Pedro no meio, vão sorrindo, olhando nos olhos um do outro, como se conseguissem ler os pensamentos um do outro.

Fora do castelo, a manhã era só mais uma. Mais um dia tranquilo, um dia rotineiro. O nevoeiro já ia alto quando o galo desperta para ir fazer as honras aos camponeses que trabalhavam para as terras do rei. Continuava-se as colheitas, o lavrar das terras com as enxadas, outras usavam os arados para levantar as terras negras plantáveis. O filho mais velho, João, abria caminho à água para que esta regasse e saciasse a sede às plantas cultivadas para serem colhidas no próximo verão. Matilde, irmã gémea de João cuidava dos irmãos mais novos, enquanto o Pai trabalhava no campo ajudado pelo filho mais velho. A mulher cuidava dos animais. Com a hora de almoço a avistar-se, tinha de rapidamente preparar o almoço.

Ok. Eu sei que isto pode ficar melhor. Mas é só uma tentativa de dar um começo à historia do livro que quero escrever. :/

segunda-feira, agosto 9

Começar do zero...

O pc estragou. E fiquei sem nada. Fiquei sem uma historia que estava a escrever para o blog. Fiquei sem nada. Fotos, musicas, letras, pastas, filmes, tudo. :(

sábado, agosto 7

Ídolos de papel...

Observo. Respiro fundo ao ver os seus lábios serem molhados pela língua. Corro o olhar sobre o campo verde à minha frente. Respiro. Tranquilamente deixo-me envolver pelos raios de sol que me aquecem o peito. Volto a por o olhar na menina ao meu lado. Tem nas mãos um livro. Um livro meu. Um livro de umas possíveis 80 páginas. Solta sorrisos, esconde uma lágrima, à medida de vai passando os capítulos. Vejo-a entretida com uma coisa minha. Uma coisa sobre a qual dediquei a minha pequena vida. São como ídolos. Leitores, Letras, Comentários, os meus textos e a Vida. Trazer sempre no bolso a vontade de criar as coisas mais simples e novas. Não brinco no baloiço tanto como queria, ou não converso como os adultos o fazem muitas vezes, ou como gostariam que o fizesse. Apetrecho-me com os lápis e borracha e alguns papeis brancos cada vez que saio de casa, não vá algo passar-me pela cabeça e queira dedicar algum tempo a isso. Escrevo como se fizesse pequenas coroas de flores com a maior da delicadeza. Escrevo o simples (ou tento), o mistério, o amor, a criança. Tudo se envolve e se recria com as palavras.

Muitas vezes é o silêncio que me trás de volta à realidade.
O silêncio que as palavras me deixam.

Hoje queria algo diferente. Algo bonito. Saiu-me mal. Mas o próximo poderá ser melhor. :)