sábado, julho 31

E se um dia...


E se um dia, tudo o que sonhei se pudesse tornar realidade? Seria realmente feliz? Ou voltaria a querer sonhar com outra coisa qualquer? Como se quisesse aperfeiçoar a ideia que sonhei? Mesmo que tivesse a grande casa dos meus sonhos, o enorme jardim como sempre quis, mesmo que a casa tivesse as enormes janelas que deixassem entrar a luz bonita que o sol nos dá, haveria sempre alguma coisa que me iria querer por a sonhar novamente. Ou seria que não? Bem, seria engraçado, bastante excitante e divertido, se de-repente pudesse construir a vida à minha maneira...

Sonho. Sim sonho como um bebé, como um menino pequenino no meio de um enorme jardim, a olhar e a olhar sem nunca se fartar. Olhando em volta, magicando as coisas mais bonitas que gostaria de por ali ver. Aquela casa de de campo, não muito grande, não muito pequena. Ideal para tudo sem ter nada a mais, nem nada a menos. Um grande jardim a envolver toda a casa. Um pequeno rio que passasse a uns largos metros afastado da casa, envolvido numa enorme floresta verdejante. Um muro que me proteja. Um muro que diga quem sou, que diga que não tenho medo de ser e pensar em grande. Partilhar os espaços com a família. Passear de mão dada com a menina que me dê um sorriso e ao mesmo tempo um aperto no coração, por me ser tão profundamente bela. Passar os dias a olhar pela janela do meu quarto. respirar fundo, pousando a cabeça no peito da minha bela adormecida. Sair para trabalhar durante a semana. Sair ao fim de semana e ir vasculhar neste nosso amado portugal pelas suas maravilhosas terras e os seus monumentos. Ir ao cinema. Partilhar a cama. Sair à noite. Divertir-me. Viver na casa até que a idade me pese no corpo ou os olhos se cansem de estar abertos.

Mas, e se tudo o que sonhei se tornar num pesadelo? Não vou pensar. Vou ignorar. Se te pudesses dizer uma palavra sobre o meu grande sonho essa palavra seria simples e curta. "Sonhar"! Pois posso ser feliz dos dois lados da história. Contando-te uma que poderia ser a minha, ou a que imagino na minha cabeça. As duas dariam grandes histórias. Diferentes, mas felizes.

quinta-feira, julho 29

Aninho-me no quentinho dos cobertores do meu quarto.


Aninho-me no quentinho dos cobertores do meu quarto. Sozinho e com o frio a querer desfazer-me, vou assim resistindo à doença que me bate à porta. Tenho um lápis na mão, mil papeis à minha frente, e escrevo sem parar. Quantas vezes já esmaguei eu, o meu próprio coração? Milhares de vezes. Vou batendo com o punho no chão em jeito de que as ideias mais perfeitas e sinceras me sejam colocadas na ponta do lápis para que consiga escrever o que quero. Para que saia a mais bonita história que sempre quis escrever.

Os sonhos voam à minha volta, mas nem um é capaz de parar e deixar-me agarra-lo para que o possa escrever em condições. Queria a sua mão. A mão de homem, de mulher, de alguém que se chegue perto de mim, me acarinhe nos seus braços, e, me diga que por hoje chega. Que hoje já fiz muito. Que me levante e limpe as lágrimas com a sua manga da camisola. Ou então, que me deixe a chorar com raiva por não conseguir chegar ao ponto da escrita que mais quero. E, traga apenas uma caneca de chocolate bem quente, para que afogue as mágoas e queime de vez as dores que tenho no peito de tanto chorar. Preciso de variar. Preciso de mudar aquilo que gosto de fazer. Preciso de mudar, preciso de fazer algo novo. De criar a mesma coisa, mas de outra maneira ainda mais sincera. Preciso de me sentir livre do peso que me impede de respirar tão bem.

terça-feira, julho 27

I Am Leaving Now...

Quero deixar a minha casa. Mesmo que goste dela, eu quero mudar de ares. Preciso de deixar a preocupação, a ausência de algo que me atormenta o peito. Algo que me faz sofrer de noite. Partir para um lugar onde ninguém me conheça, onde ninguém sabe o meu nome. Começar do zero. Comprar/alugar um pequeno apartamento e morar por lá quantos anos forem precisos para que mais uma vez mude de lugar.



Sentir a saudade de casa cada vez que for cedo para o trabalho. Entrar em casa e sentir o gosto, o sabor do ar que entra pela janela da sala que ficou aberta, aproveitando o fresco da manhã para dar um bom ambiente à casa. Chegar, e, atirar-me contra o sofá ou contra a cama. Fechar os olhos e respirar bem fundo o ar do fim da tarde. Resgatar um gato da rua e educa-lo em casa. Pintar e recuperar o apartamento. Convidar os amigos e dar uma festa pequenita.

Ter a minha vida simples e pequenita sem complicações. Se de dia trabalho, então à noite quero um bocado de tempo para mim, sair e ir até a um pequeno pub, ou discoteca e por lá convidar alguma menina para vir até ao meu dormitório. E, numa dessas saídas, apaixonar-me por alguma menina bonita e divertida e partilhar o meu sitio. Ir a casa dos pais e trazer tudo o que é meu e me faz falta. Juntar dinheiro e comprar um sofá (se não o tiver). Um computador, Internet (haha), roupeiro novo. Sair de casa com a menina e tirar as fotografias dos momentos mais pequenos e sensíveis que nos ficam guardados no coração. Andar pela cidade e ir comer de vez em quando ao Mcdonald ou outra casa que venda coisas que nos faça mal.

I Am Leaving Now...

sábado, julho 24

Tenho saudades...


Tenho saudades da criança que fui. Tenho saudades de fugir da água do mar que imaginava eu que esta me tentava comer ou engolir. Tenho saudades dos mergulhos, da pele branca e do meu ser pequenino e gordinho na praia todo nu. Tenho saudades. Saudades do tempo que me escapou das mãos. Saudades da criança que fui, da criança que sou e não posso ser mais. Tenho saudades dos meus caracóis loirinhos/acastanhados. Hoje, sinto um aperto no coração, aquele aperto que me rouba e mata aos poucos a alegria. Queria-me sentir, só apenas por um bocadinho, a criança que era. Sentir todas as aventuras de coração quente, e de sangue frio. Desvendar os mistérios das criaturas que me arrepiavam. Adoraria sim, caminhar em direcção ao sol. Correr para a chuva, sentindo-a cair no meu corpo de menino de 2/3 anos. Como adorava voltar a vestir aqueles calções amarelos. O sentar-me no colo do meu pai e tirar aquelas fotografias que não gostava nada de tirar. De aproveitar os pais quando ainda eram mais novos, dizendo-lhes ao ouvido, que serão sempre os melhores pais do mundo.

Tenho saudades de quando ainda tinha idade para construir e habitar nas casas das árvores. Ainda mais de mexer na terra, de a molhar e brincar com as minhocas. Assim como os carros na areia da praia, enquanto o irmão faz as pistas para brincarmos.