segunda-feira, julho 5

Sinto necessidade...


O céu sobre mim está a cair. E atrás dele vem as estrelas que um dia me fizeram sorrir. Sinto necessidade de ouvir novas palavras. Saborear novos lábios, olhar nos olhos de quem me quer por um bocadinho do seu tempo. Preciso de tempo, de tempo principalmente para mim. Poder gerir tantas coisas que vejo, de tantas em comum nada tenho de quem ao lado me chega a passar. Olho para o céu, procurando uma resposta, um conhecimento para ultrapassar esta má/boa fase de vida. Este trauma deixado por um mau passado. Quero aproveitar o melhor que hoje tenho. Apreciar as estrelas no céu enquanto tenho tempo. Sentar-me ao sol e desejar que este não feche o seu coração. Quero tocar-lhe, poder abraçá-lo como nunca abracei ninguém. Sentir que o tenho ao meu lado em todos os momentos. Anseio constantemente por o ouvir gargalhar, por o ver sorrir com as imperfeições que me dão.

Eu posso fazer tudo o que eu quiser, e ninguém tem nada haver com isso. Não vou aturar merdas de ninguém, não vou ouvir coisas de ninguém. Não vou esperar por ninguém. Não quero saber de ninguém. Vou, seguir a minha vida e apreciar o nascer do sol todos os dias.

domingo, julho 4

São as letras na carta...

Ainda te lembras? Ainda te lembras do tempo em que tudo era perfeito e fofo? Colorido e amistoso? Lembras-te? Consegues recordar-te do que sentíamos, do que vivemos à tanto tempo? O que éramos e deixámos de ser. O que fomos e não somos mais. O que queríamos ser e, neste momento, não somos nem metade do que pensávamos vir a ser. As travessuras, os malabarismos de fim de semana. De como tentávamos mudar as coisas, mudar o mundo com as nossas coisas estúpidas e ideias de garoto ignorado, ou self-ignorado. Mas nunca deixamos de ser o que fomos no fundo. Os garotos, as tentativas de nos encontrar-mos no meio de nós dois. Durante estes 20 anos, e pensar no futuro e... E achar que nada irá mudar. Não assim, tão violentamente. Quando éramos garotos, já mais pensaríamos que seriamos o que somos hoje. O que temos e o que tivemos. As emoções e os espíritos mútuos. As brincadeiras desde que o sol acordava, até que se ia deitar. Era tudo constante.

Ainda te lembras, de quando o coração batia com força no peito e nos fazia sentir coisas extraordinárias? De como tudo era tão... Tão cheio de magia, e nós, pequeninos no mundo dos adultos nos esticávamos em todo o lado, querendo parecer maiores, parecer menos crianças e mais adultas? Entendes? A vida é efémera e mesmo assim, ignoramos e negamos que o que quer que passe mais rápido do que o próprio tempo e nos leva a vida toda, nos deixe de alguma maneira felizes por termos vivido da maneira como vivemos. Nunca destruíste a minha liberdade. E se alguma vez o fizeste foi porque aceitei.

São as letras na carta que transmitem os sentimentos, não quem as ousou usar...

sábado, julho 3

Mais com o carago dos bichos...


Aquilo que mais odeio é ver os mosquitos a passarem por mim a fazer piruetas no ar, malabarismos com as mãos. Fazer mortais e tudo mais comigo ao lado. Sinto-me mais abaixo que uma pequenina e indefesa formiga no meio dos abutres. Mais ingénuo que um bebé. Caramba e fazem as coisas com gosto, mas também como se me quisessem incitar a voar com eles. Odeio.

Olha!! Outra mosca a fazer voos rasteiros e deliciosamente rápidos mesmo à minha frente. Está a merecelas. Ai está, está. Ela sabe que não posso voar, pois faz de tudo para me meter inveja. Não suporto!! --'

quinta-feira, julho 1

Tenho saudaditas

Tenho saudaditas, mas daquelas pequenitas do estrebuchar, do deitar baba e ranho. Queimar os pulmões todos com a choradeira e a gritaria que costumava fazer quando algo não corria como eu queria, ou quando o papá e a mamã não me faziam as vontades, tirando-me ou não o que mais gostava e que sabiam que me deixariam calmo o suficiente para obedecer e fazer o que eles tanto queriam que fizesse. Agora não é gritos nem nada mais do que um simples tom de voz maduro, confiante do que quer e então começa a discussão com o pai e a mãe. Um diz que sim, outro diz que não, ficando sempre no meio do que quero fazer ou ter.

Aquilo que mais me fazia impedir ou tentar não chorar, era o facto de ficar com falta de ar quando era mais novo, ou melhor mais pequeno. Odiava ter de chorar, pois lembrava-me do susto que apanhava por não conseguir respirar. E então sabendo que não conseguia, ficava assustado e aí ainda era pior. Era isso e palmadas... Oh, ainda me lembro da mão do meu pai que ficou marcada durante 2 horas no meu rabo por lhe ter partido uma coisa que agora não me lembro. Ainda bem que era puto e bué da novo. Um gajo quando é puto a dor passa num estante. É como os bêbados. ^_^