quinta-feira, dezembro 24

Pode o Sol não existir...

Diz-me que precisas do meu sorriso, quando choro. Dou cada sorriso que te puder dar. Todos eles, sem hesitar. Nem que no dia seguinte, já não estejas ao meu lado, nem as tuas mãos me segurem a cara nos beijos intensos dados no frio intenso da noite, ao olhar para as estrelas. Não preciso de que me digas as palavras mágica, para abrires o meu coração. Esse está bem aberto, para que lhe possas tocar e ver sem mentiras de que sou feito. Não vou ficar chateado, apenas porque me rejeitaste ou dizes que não sabes o que responder à pergunta que tentamos tanto manter "sagrada" aos nossos ouvidos. Diz o que bem entenderes. Pode ser a ultima noite que me verás, não me importo, pois, ele daqui a 5 minutos pode esta a tocar, e poderás até estar muito melhor sem a minha pessoa por perto. Ou chegar a um sorriso brilhante e fazer de conta que o dia acaba quando um de nós decidir adormecer no colo de um do outro. Só te quero perto de ti, sentir o teu calor. Tocar, e fazer as tuas faces ficarem encarnadas.

A vida é curta. E parece que a única pessoa que não tem visto isso, sou eu. Falo muito bem, sobre os problemas dos outros. Pedindo-lhes para desabafarem, mas na realidade, quem na realidade precisa de ajuda. Da ajuda que dou, sou eu. Não quero chorar esta noite, nem contava com isso. Mas chorei. E foi lindo. Foi lindo, porque nunca chorei por uma razão tão viva neste momento. A vida continua. Mesmo que para trás tenham ficado os melhores momentos da nossa vida. Pois certamente virão mais e mais, sem nos apercebermos. Das mais variadas maneiras. Como por magia, transformando as falsas memórias, choros e angustias em algo maravilhoso. Algo que mudou. Pouco e devagar. Foi trémula a viagem até aqui. Sem saber que estava a perder todos os pequenos recantos de uma vida. Perdi 20 anos. Uns meses talvez não. Tão certo como o sol nascer cada dia.

Dá-se um nó. Cá dentro na garganta. Há anjos. Vozes de muitos eles. Desdenham-me a ponta dos dedos. Criam a luz onde a escuridão está colada que nem pastilha no chão da rua. Tantos enganos e mentiras que fiz e disse a mim mesmo. Tanto nevoeiro e nuvens cinzentas em todos os céus de cada dia que fingia serem meus. E nem um. Em nenhum tive a coragem de me levantar, pegar num pano, ou num lenço de papel, limpar as lágrimas, esticar o braço e limpar o céu que estava o azul espelhado do mar. Perdi. No fim. Neste, perdi. Acabei por perder. Por perder aquilo que pensava que manteria por um período agradável da minha vida. Quando na realidade, nunca a estive a viver. É só acordar, fazer o dia, deitar-me na cama, até que adormeça e acorde novamente. 20 anos... Já se passaram 20 anos, desde o dia em que nasci. E até hoje, não contribui com nada de especial e importante. E não sei se consiga, ou mereça. Talvez sim. Toda agente merece. E eu nem me importo com eles. E cada vez que vejo uma prova de amizade, tenho dificuldade em aceitar tal acto. Que para mim é de louvar, pensado que é tendo coragem que os amigos existem, ou se chegam a fazer. E então? E então, permaneço aqui. Deixando que me escorram pela cara, lágrimas que deveriam ter sido soltas à bem mais tempo. Deveria estar na cama e permaneço aqui. De olhos colocados no ecrã. E agora que penso bem... Isto de escrever está-me a matar, ou então está a libertar, aquilo que o meu coração já não conseguir chorar ou soltar cá para fora. sinto necessidade de oportunidade. Uma oportunidade para não sei bem o quê. Um lamento? E mesmo sabendo que tenho pessoas conhecidas que lêem isto. Nem sei bem como pensar. Aliás, nem penso sequer no assunto. Não me causa indiferença. Há algo. Algo mais do que penso que seja cá dentro. Cravado no peito. Aprisionado num lugar qualquer que não consigo encontrar. Onde não consigo tocar. Onde não consigo ver com os meus próprios olhos. Uma ferida. Qualquer coisa que não está bem dentro de mim. Faço me sentir um monstro. Um patinho feio e tão lindo numa metáfora tão estúpida como a própria pessoa. Tão belo e tão repugnante. Tão delicado e tão insensível. Tão... Faltando-me agora... Agora o mais precioso... Faltam-me os momentos reais, que preciso de viver e de sentir... Aqueles que me dizem, sem palavras complexas, de forma simples e directa, do que é que valem os sorrisos pelos cais estou eu aqui. Sou tudo, sem nunca chegar a ser nada na realidade.

Pode o Sol não existir... Ou melhor, como pode o Sol, não existir?

2 comentários:

  1. Que bonitas palavras sentidas! :), feliz natal! Comecei a seguir o teu blog. ok?

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